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NOSSA HISTÓRIA

Um legado de fé, seleção e inovação na pecuária

A Formação da Raça Tabapuã – Dos Primeiros Mocho em Goiás à Terceira Geração-Salviano (1), Dãozinho (2) e Nelinho (3).

A história da raça Tabapuã remonta ao final do século XIX, quando já havia registros da presença de gado mocho em Goiás. Renomados historiadores, como Rinaldo dos Santos, Antônio da Silva Neves, Athanassof, Misson, Maldonado, Paravacini e Henrique Silva, confirmam essa informação. No entanto, foi com Salviano Monteiro Guimarães que a seleção desse gado ganhou força e direcionamento.

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Salviano chegou a Planaltina no final do século XIX e logo se tornou um importante comerciante de gado e mercearias. Ele adquiria novilhas e machos comuns, identificando entre eles animais mochos de pelagem amarelada ou baia. Em 1906, seu amigo e fazendeiro José Gomes Lousa trouxe de Araguari, Minas Gerais, três touros importados da Índia e os cedeu a Salviano. A introdução desses touros no rebanho, especialmente no cruzamento com as vacas mochas, revelou rapidamente as vantagens do gado Zebu na pecuária local.

 

Em 1907, o então ministro da Agricultura, Miguel Calmon Du Pin e Almeida, iniciou um estudo sobre as raças bovinas existentes no Brasil. Para Goiás, o encarregado foi Henrique Silva, que descreveu o ambiente da região como um “habitat maravilhoso para as espécies pecuárias”. Ele também registrou a existência de seis tipos de bovinos no estado: Pedreiro, China, Curraleiro, Caracu e Mocho. Segundo o cientista Pereira Barreto, a vaca mocha de Goiás de propriedade de Salviano Guimarães era considerada um “exemplo ideal de beleza, saúde e produtividade leiteira.”

 

Com o passar dos anos, o rebanho de Salviano mostrou características superiores, como precocidade, docilidade e ganho de peso. Por volta de 1910, ele tomou a decisão de segregar um grupo de animais mochos para iniciar uma seleção sistemática. Seus filhos, Dãozinho e Hosanah, lembravam que entre 1908 e 1915 seu pai comprou grande quantidade de gado Guzerá e Nelore no Triângulo Mineiro, principalmente de José Caetano Borges. Os animais mochos resultantes desses cruzamentos passaram a ser chamados de “Mocho Nacional”, conforme documentado em vários livros entre eles o Zebu Brasileiro – 60 Anos e Tabapuã: A Raça Brasileira

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3-SALVIANO-PIONEIRO NA FORMAÇÃO DA RAÇA.jpeg

A relevância desse gado cresceu ao longo dos anos. Em 16 de maio de 1929, durante a Primeira Exposição de Goiás, realizada em Goiás Velho, o trabalho de seleção de Salviano ganhou destaque. A revista “Informação Goyana”, uma das principais publicações da época, trouxe uma fotografia legendada: “Grupo de bovinos que figurou na Exposição Pecuária de Goiás, do expositor Dr. Gabriel de Campos Guimarães, de Planaltina, filho de Salviano. É um plantel de uma nova variedade bovina, cruzamento de zebu com vaca Mocha de Goiás.”

Após o sucesso na exposição, parte do gado foi levada para Goiânia. Gabriel, então deputado federal no Rio de Janeiro, vendeu parte dos animais para Lindolfo Lousa, que repassou o rebanho para Francisco Inácio. Este, por sua vez, vendeu os mochos a um fazendeiro paulista, que presenteou a dona Isabel Lerro Ortenblad com dois bezerros mochos. Um desses animais possivelmente era o T-0, base da formação da raça Tabapuã na Fazenda Água Milagrosa, onde a raça foi oficializada.

 

A virada definitiva na seleção do gado mocho de Salviano aconteceu na década de 1930, com o nascimento do touro Japão. De pelagem esfumaçada clara, orelhas medianas, estrutura imponente e carcaça bem desenvolvida, Japão se tornou a base de um trabalho zootécnico que consolidou o nome de Salviano e a importância do gado Mocho Goiano. Ele foi o pilar do futuro plantel Tabapuã em Goiás e fez com que muitos criadores começassem a enxergar o gado mocho com maior interesse.

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7-SOBRE O TOURO JAPÃO-IMPORTANTE EXEMPLAR DE SALVIANO.jpeg
8-SOBRE O TOURO JAPÃO.jpeg
9-TOURO JAPÃO E SUA IMPORTÂNCIA HISTÓRICA.jpeg

Com o falecimento de Salviano, seus filhos Sebastião Campos Guimarães (Dãozinho) e Gabriel Campos Guimarães assumiram o rebanho. Mais tarde, Dãozinho e seu filho Nelinho Guimarães continuaram a criação e o aprimoramento do gado mocho. Seu objetivo não era criar uma nova raça, mas sim estabelecer um tipo zootécnico produtivo e rentável. Sempre de olho na balança. (10 A 17)

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13-NELINHO E O PRIMEIRO TOURO DE SUA MODERNIDADE.jpeg
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A partir dos anos 1990, Nelinho e sua esposa Maria José intensificaram o trabalho de seleção genética e conquistaram reconhecimento nacional. O rebanho da família dominou as principais feiras agropecuárias do Brasil, de norte a sul do país,  onde além de apresentar a raça, acumularam centenas de prêmios. Na Expozebu, foram oito vezes consecutivas premiados como Melhor Criatório e Grande Campeão Nacional, além de todos os títulos de matriz modelo do qual participaram. 

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22-ONDA VERDE-PREMIAÇÕES EM GOIÂNIA.jpeg
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O legado da família Guimarães está registrado nos anais da ABCZ e na história da pecuária brasileira. Seu pioneirismo na seleção do gado mocho foi essencial para a formação da raça Tabapuã, conforme inúmeras publicações*, e hoje é referência em qualidade genética e produtividade na pecuária nacional.

 

*Rinaldo dos Santos, historiador renomado e autor de diversos livros entre os quais: A Geometria do Zebu, O Zebu de Ouro, A Saga do Zebu, Nelore: A Vitória Brasileira, Fundamentos da Pecuária nos Trópicos, Zebu Brasileiro – 60 Anos e Tabapuã: A Raça Brasileira,e também os historiadores Antônio da Silva Neves, Athanassof,  Misson, Maldonado, Paravacini e Henrique Silva, afirmaram que desde o final do Século XIX já havia gado mocho em Goiás.

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