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A CONTINUIDADE

“Essa é a contribuição da minha geração para a história da minha família e, quem sabe, para um pedacinho da história da pecuária nacional”

Valéria Guimarães 

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Somos uma família com DNA de boiadeiros.

Meu avô, meu bisavô, meu pai — todos eram de comitiva. Conduziam animais vindos do Nordeste do país, entrando por Goiás e cruzando todo o Centro-Oeste, muitas vezes terminando seus trajetos em outros países da América do Sul.

Durante essas longas viagens, eles também faziam seleção — não apenas nas fazendas, mas ao longo do caminho. Observavam o compasso do gado, a resistência, a capacidade de chegar ao destino.

Eram homens que dormiam debaixo de árvore, sem estrada, subindo e descendo morros, enfrentando chuva e sol — mas sempre chegavam ao destino final.

Pessoas de muita fé. Selecionadores natos, escolhiam até pelo passo do animal. Aqueles que começavam muito rápidos dificilmente terminavam a jornada. Já os que mantinham um compasso mais lento, porém constante, eram os que alcançavam a aguada e bebiam a água limpa.

O primeiro que chega ao capim verde e água limpa é o que ganha a força da nutrição — e eles observavam isso com atenção.

Percebiam que os animais com ritmo compassado resistiam mais, e mesmo que chegassem magros, ao encontrar boa forragem, recuperavam-se rapidamente e ganhavam peso de forma impressionante.

Era, na prática, um processo de seleção natural. Os que não resistiam ficavam pelo caminho. A comitiva era também uma escola — de observação, de paciência e de métricas.

Acompanhar o gado no frigorífico era parte do ofício. Eles comparavam, avaliavam, aprendiam.​​​​​​​​​​​

 

Nosso gado sempre se destacou ao lado dos demais lotes, recebendo cumprimentos e reconhecimento —

e assim seguimos até hoje.

Da balança ao criador

O objetivo final sempre foi o mesmo: a balança, o dinheiro no bolso e a sustentabilidade da pecuária.

 

Até a geração do meu avô, o foco era o peso.

 

Com meu pai, veio um novo olhar — o aprimoramento da seleção dentro do Tabapuã e a busca por resultados também para o criador.

 

O que o criador precisava? Um animal rústico, criado a pasto, sem “manual de funcionamento”, que chegasse e cumprisse seu papel: com alta libido, precocidade, excelente habilidade materna, fêmeas longevas, produtivas, com grande capacidade de heterose, dóceis e fáceis de manejar — algo essencial também para a segurança de quem trabalha conosco.

 

Era esse tipo de animal que oferecíamos, mantendo o mesmo DNA da observação e da eficiência na balança.​​​​​​​​​​​​​​​​

 

Meu pai sempre dizia: “Minha filha, é muito bom o cliente novo, mas é muito melhor o cliente que retorna.” E Graças a Deus, nossos clientes sempre retornam e os honramos.

Confiança que atravessa gerações

Desde aquela época, nossa relação com frigoríficos e criadores sempre foi sólida e baseada em confiança. E o mais importante, atravessa gerações.

 

Em relação aos frigoríficos, eles sempre souberam o que estavam recebendo e repassavam um produto de qualidade — com mais peso, mais carne e melhor rendimento. Sem saber, já entregávamos carne de excelência, e eles sempre pagaram um prêmio por isso.

 

Até hoje, muitos frigoríficos nem pedem vídeo da boiada:“Não, não. Temos vaga para tal dia e vamos pagar X.”

 

Essa confiança construída ao longo de décadas é algo que queremos continuar e honrar. A respeitabilidade é a maior da commodities!

O legado continua

Com o falecimento do meu pai, senti um chamado muito forte para continuar esse legado de três gerações. 

​​Agora, na quarta geração, junto do meu esposo e dos meus filhos, decidimos fazer algo maior — um projeto plural e inovador dentro da pecuária nacional.  Investimos em genética e identificamos animais superlativos — com carcaça espetacular, precoces, férteis e, agora, com foco especial em marmoreio.

 

Assim que recebemos nossos animais, realizamos inventário por ultrassonografia de carcaça, para entender o que carregam por dentro.

 

Descobrimos que 16% do plantel já era naturalmente marmorizado.

 

Selecionamos doadoras com excelente AOL, cobertura e grau de marmoreio, multiplicando-as por TE e outras tecnologias reprodutivas.

 

Afinal, o custo de multiplicar um bom ou um mau animal é o mesmo — a diferença é saber qual multiplicar.

 

Desejamos que o Brasil deixe de multiplicar carne commodity e passe a produzir carne de excelência — saborosa, saudável e de alto valor agregado.

De mãos dadas com o novo

Sou médica endocrinologista e, por muitos anos, me mantive totalmente dedicada à minha carreira, mesmo com a insistência do meu pai para que eu assumisse os negócios da Fazenda. Ele costumava brincar que era mais fácil engordar boi do que emagrecer gente. Ainda assim, eu sempre fui profundamente apaixonada pela minha profissão e nunca quis abrir mão dela.

 

Com a sua partida, em 2013, senti um chamado muito forte para assumir esse legado familiar tão extraordinário.

 

Ao lado do meu marido, Istênio Pascoal, também médico, passei a me dedicar à criação, com o propósito de aproximar a genética Onda Verde das mais modernas tecnologias de produção, construindo um projeto de pecuária verdadeiramente contemporâneo. Um dos primeiros passos foi integrar o nome da Fazenda para Balsas-Onda Verde — um momento profundamente simbólico para mim.​​​​

​​​​​​Balsas representa essa travessia. É a minha passagem da endocrinologia da cidade para uma espécie de “endocrinologia às avessas”. Na cidade, cuido da obesidade; na fazenda, promovo o ganho de peso. Com as pessoas, evito a puberdade precoce; com o rebanho, busco a precocidade produtiva. Balsas simboliza exatamente essa transição entre dois mundos que, de forma surpreendente, dialogam entre si. ​​​​​

​​​​​​​​​​​Para nós, a Balsas Onda Verde é também uma ponte entre gerações. Queremos honrar o legado recebido e, ao mesmo tempo, construir o nosso — incorporando práticas sustentáveis e condições operacionais que tornem a terra mais produtiva e preparada para quem virá depois. (88)

Com esse propósito, enfrentamos o desafio de buscar novos conhecimentos e integrar nosso projeto

aos critérios mais avançados de seleção, como os preconizados pela Confraria da Carcaça Nelore,

utilizando tecnologias como a ultrassonografia de carcaça — hoje entre as mais modernas ferramentas

para avaliação de qualidade.

A primeira avaliação realizada pela DGT Brasil revelou que nosso plantel já alcança níveis de marmoreio à

pasto extremamente relevantes. A partir disso, iniciamos acasalamentos dirigidos para expressar e expandir

essas características, com maior previsibilidade de resultados.

​​​​​​​​​​​Para nós, a Balsas Onda Verde é também uma ponte entre gerações. Queremos honrar o legado recebido e, ao mesmo tempo, construir o nosso — incorporando práticas sustentáveis e condições operacionais que tornem a terra mais produtiva e preparada para quem virá depois. (88)

Com esse propósito, enfrentamos o desafio de buscar novos conhecimentos e integrar nosso projeto

aos critérios mais avançados de seleção, como os preconizados pela Confraria da Carcaça Nelore,

utilizando tecnologias como a ultrassonografia de carcaça — hoje entre as mais modernas ferramentas

para avaliação de qualidade.

A primeira avaliação realizada pela DGT Brasil revelou que nosso plantel já alcança níveis de marmoreio à

pasto extremamente relevantes. A partir disso, iniciamos acasalamentos dirigidos para expressar e expandir

essas características, com maior previsibilidade de resultados.

 

É isso que quero entregar ao consumidor final: uma carne macia, saborosa e saudável. E, ao pecuarista,

animais superiores — touros e matrizes com maior eficiência reprodutiva, ciclos mais curtos e melhor

rendimento no frigorífico. (83,84,85)

Mais do que tecnologia, nosso projeto se sustenta em pilares essenciais: preservação ambiental, bem-estar animal e, acima de tudo, bem-estar das pessoas. Não faz sentido termos animais bem cuidados se as pessoas que lidam com eles não são igualmente valorizadas.

Acredito que as melhores práticas precisam estar presentes em todos os elos do processo produtivo. Isso, para mim, é o verdadeiro significado de sustentabilidade. Essa é a contribuição que busco oferecer à história da minha família — e, quem sabe, também à história da pecuária nacional.

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